Clássicos: Pretinho Básico

Estou iniciando hoje uma série de artigos sobre peças que tornaram a nossa vida mais bonita, elegante e charmosa. Elas são chamadas de clássicas. Essas peças são reconhecidamente esplendorosas, pois desde o seu nascimento até os dias de hoje, ainda se fazem presentes e continuam a vestir pessoas que desejam experimentar todo o glamour que as mesmas podem oferecer. Por uma questão de justiça, decidi que a primeira peça a ser “homenageada” será o “pretinho básico”. Isso, aquele mesmo de que tanto ouvimos falar, desde que nos entendemos por gente.

A história deste clássico está intimamente ligada a Coco Chanel, porém, antes de falarmos dela, precisamos nos situar na história e percebermos que, o pretinho básico já era usado muito antes dos anos 1920. Sim. O que dizer das viúvas de alguns séculos atrás? Tudo bem que o vestido preto não era conhecido como básico e não tinha nenhum sentido fashion por trás do seu uso, mas devemos fazer justiça, nos lembrando daquelas senhoras e senhoritas enlutadas que, possivelmente não tiveram o prazer de conhecer o vestido pretinho que é sinônimo de alegria e não de tristeza ou pesar.

A criação exalta a criadora.

O “pretinho básico” (“tubinho preto”) ou, como ela mesma o intitulou, o “little black dress”, foi criação de Coco Chanel e foi lançado no ano de 1926. Alguns o compararam ao Ford T, por ambos serem elegantes, pretos e accessíveis. Porém, as semelhanças acabam por aí, já que o modelo da Ford não teve uma vida tão longa e celebrada quanto à criação de Mademoiselle Chanel. A escolha da cor do vestido, como bem podemos imaginar, causou grande rebuliço na época e, uma das frases mais inteligentes de Chanel surgiu quando foi interrogada por Paul Poiret a respeito de sua mais recente criação. O diálogo foi o seguinte: “Senhora, por quem está de luto?” Chanel sorrindo respondeu “Por você, meu senhor.”.

O estilo criado por Chanel se mostrou uma solução maravilhosa, pois uma mulher trajada com o pretinho básico ideal poderia sair diretamente do trabalho para participar de coquetéis e festas diversas, sem perder o charme, a elegância e o glamour e, tudo isso conseguido à custa de muita praticidade. Bastava variar os acessórios ou usar sobreposições, dependendo do tipo de ambiente, que a moça estava pronta para ser elogiada.

Audrey Hepburn vestindo o clássico "pretinho básico."

O “little black dress” mais famoso é o usado por Audrey Hepburn no filme Bonequinha de Luxo. Devo chamar a atenção para o fato de que o pretinho básico em questão não é um Chanel, mas sim um Givenchy.

O melhor pretinho básico é aquele que combina com o seu estilo. Se você for investir em um desses ou quiser adquirir um novo, não tenha medo de investir de verdade, se preciso for e se possível for, também. Caso só possa ter um deles no seu guarda-roupa, evite um que seja cheio de babados ou muito curto. Prefira um de comprimento midi a longo. Você vai saber quando o pretinho básico for o certo. Ele vai te fazer se sentir uma deusa. Opte por um que possa ser usado em qualquer ocasião (se puder ter mais de um pretinho básico ideal, pule esta parte), daquele tipo que fica bem com salto e jóias, caso seja usado à noite ou fica um arraso de lindo se você decidir usar ele com cardigã e sapatilha, para um passeio de fim de tarde de outono com o seu amor. O melhor “little black dress” é aquele que é versátil e pode funcionar como uma segunda pele.

As celebridades sempre se rendem à versatilidade e elegância do "little black dress".

E, como diria a Duquesa de Windsor, Wallis Simpson “Quando o pretinho básico é o correto, não há nada que se possa vestir em seu lugar”.

O “pretinho básico” não veste a mulher, é a mulher que veste o “pretinho básico”. Pense nisso!

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