#SextaSustentável – Quatro anos de Rana Plaza e a necessidade urgente de mudança.

A última segunda-feira marcou o aniversário de quatro anos de uma das tragédias mais significativas relacionadas ao mundo da Moda.

Atualmente, pouco se fala na grande mídia, principalmente no Brasil, sobre o que aconteceu na fábrica Rana Plaza que, até o trágico dia 24 de abril de 2013, localizava-se em Savar Upazila, distrito de Dhaka, no Bangladesh.

Rana Plaza

Segundo reportagens publicadas à época*, mais de 1.130 trabalhadores da indústria da Moda morreram e mais de 2.500 outros foram retirados dos escombros da então fábrica com vida, após a mesma ter vindo abaixo, soterrando todos os que estavam no local, debaixo do equivalente a oito andares – construídos ilegalmente – de concreto, e com as últimas tendências em Moda sob e sobre os seus corpos. Muitos dos que saíram dos escombros com vida, no entanto, sofreram lesões gravíssimas, impossibilitando-os de voltar à rotina de uma ‘vida normal’.

Desde então, algumas questões ficaram para serem respondidas por todos aqueles que trabalham, diariamente, na indústria da Moda: Quais foram as lições aprendidas com Rana Plaza? Será que estamos ignorando o que aconteceu naquele fatídico dia 24 de abril de 2013? Como seguir em frente, depois do que aconteceu em Rana Plaza?

Porém, a questão mais importante, talvez, seja: O que a indústria da Moda está fazendo, diariamente, para que tragédias como a que aconteceu em Rana Plaza jamais venham a se repetir?

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A iniciativa da organização Fashion Revolution foi celebrada esta semana em mais de 94 países. O objetivo mais básico da organização e de seus colaboradores e apoiadores é incentivar e encorajar milhões de pessoas a pedir que as suas marcas de moda favoritas sejam transparentes e contem aos seus consumidores “#whomademyclothes?” (“#quemfezasminhasroupas?”. Só no ano passado, por exemplo, segundo reportagem do HuffPost UK*, mais de 70.000 pessoas utilizaram as suas contas nas principais redes sociais para levantarem a questão “#whomademyclothes?” às marcas. O movimento atingiu cerca de 156 milhões de impressões orgânicas nas plataformas de mídia digital, pressionando as marcas não apenas a falar, mas também a modificar a maneira como até hoje é realizada a maior parte da cadeia de produção das fábricas de artigos de Moda.

 

O apelo de todos os que já se conscientizaram da necessidade urgente de mudança é que não seja preciso mais uma tragédia, para que as marcas que ainda insistem em disponibilizar para o consumidor final as últimas tendências, a custos baixíssimos, colocando a vida de seus trabalhadores em risco por conta de subcondições de trabalho nas fábricas espalhadas por diversos lugares do mundo, decidam agir em prol de uma mudança significativa na cadeia de produção. Se algumas marcas podem fazer diferente, todas podem! E eu e você também podemos – e devemos – buscar a conscientização, vestindo as nossas roupas de dentro para fora, ou seja, buscando saber a procedência do que consumimos.
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“Quem fez as minhas roupas?” é um movimento que preza pela vida humada, por melhores condições de trabalho nas fábricas de artigos de vestimenta e, além disso, também inclui em sua proposta a produção e o consumo conscientes.

Na real, é possível amar a moda, sem precisar consumir desenfreadamente. É possível dar um upgrade no seu guarda-roupas, sem precisar gastar uma fortuna e, principalmente, é possível reciclar a maioria das roupas de estações passadas, apenas acrescentando algumas peças e acessórios trendy aos seus looks favoritos. Falo sobre isso aqui no NS desde 2011!

Seja fashion wise! Não espere o próximo de 24 de abril para relembrar do que aconteceu em Rana Plaza e para questionar quem faz as suas roupas e a que custo. Pesquise sobre as marcas de Moda de que gosta, mande emails, questione-as através das redes sociais. Faça disto uma missão fashion. Eu já estou nessa vibe há algum tempo e sei que mais uma galera está fazendo o mesmo. Vem com a gente!

Beijos e até a próxima!

Nika Castello

*Fontes: 

¹BBC News – Rana Plaza factory collapse survivors struggle one year on.
²Huffington Post UK – Are we ignoring a daily Rana Plaza?.

 

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